Criando uma Comunidade

 

Entrevistas no "Brasil Futsal"

Um dia, dois dos meus parceiros (Alina e Luís) e eu fomos a uma quadra coberta de futebol de salão chamada Brasil Futsal. Lá, eu tive o prazer de conhecer a Angela Maria Barbosa Enseki. Quando ela mencionou seu sobrenome, eu fiquei de certa forma confuso. Ela não parecia em nada como uma japonesa. Quando eu a inquisitei sobre seu sobrenome, ela respondeu: "quando eu me casei, eu decidi mudar meu último nome igual ao do meu marido, que é um nisei brasileiro." Quando eu perguntei a futuros entrevistados se o fato de possuir um sobrenome japonês facilita na burocracia e papelada para tirar um visto de trabalho no Japão, todos me responderam que isso é irrelevante; contanto que alguém possua documentações legítimas que ele ou ela é casado com alguém de descendência japonesa, não há problema nenhum para tirar um visto trabalhista para vir para o Japão.
Outro assunto que eu estava intricavelmente curioso, era sobre o nível de fluência em japonês que os Nikkeis possuim. Quando eu perguntei à Angela sobre seus conhecimentos linguísticos na língua japonesa, ela me respondeu: "É muito difícil para uma brasileira como eu a aprender direitinho o japonês. Primeiro, por que me falta tempo, e segundo que lá no Kaisha (companhia ou empreitera) aonde eu trabalho, eu só tenho chance de conversar em português com o restante do pessoal brasileiro lá. Mas eu ainda quero aprender a falar japonês.
Adriana Miyagui Segura é uma outra Nikkei brasileira que eu tive o prazer de conchecer no Futsal. Adriana é uma yonsei Nikkei, cujo pai é espanhol e a mãe é uma sansei brasileira. A Adriana está morando no Japão ha um pouco mais de seis anos. Ela definitivamente não tinha uma fisionomia facial japonesa, na verdade, eu quase nem pude perceber que ela tinha meio sangue japonês. Ela estava um pouco constrangida durante a entrevista o que impediu que eu emergesse em uma conversa totalmente aberta (como a que eu tive minutos atrás com a Angela). Apesar de sua timidez, ela me contou que trabalha em um Kaisha na prefeituria de Saitami (lugar aonde a cidade de Hamamatsu está localizada, um dos maiores focos de brasileiros no Japão). Nessa empreitera, ela trabalha juntamente com outros 280 brasileiros. Ela decidiu se mudar para o Japão, porque sua mãe foi oferecida uma vaga de trabalho na empreitera sete anos atrás. Relutante em deixar a mãe ir sozinha e ficar longe dela, Adriana resolveu mergulhar de cara nessa jornada.
Eu também a perguntei sobre seus conhecimentos em japonês. Adriana tinha um nível superior de conhecimento em japonês da maioria dos Nikkeis que eu entrevistei. Ela me contou que sempre desejou aprender o idioma, e se esforçou ao máximo para obter e chegar ao nível de conhecimento que possui hoje em dia. Pouco antes de finalizar a entrevista, eu a disse que meu estômago doía um pouco. Ela foi gentil o bastante para perguntar a uma senhora japonesa, se ela soubesse de algum medicamento bom para azia no estômago. Ela papeou com a senhora por um bom tempo, e em nenhum momento eu senti que ela estava perdida na conversa. Ao final da entrevista, ela me deu uma lista com os melhores remédios de gastrite à venda no mercado japonês.

 

 

 

Para maiores informações, clicar:

- Meu Primeiro Deparo com um Nikkei

- As Vantagens de ser um Nikkei no Japão

- Um Fenômeno chamado Karaoke

- Espírito de solidariedade e cooperação entre os Nikkeis